Confederação Brasileira de Aikido.
| SOKAKU TAKEDA: GUARDA COSTAS EM HOKKAIDO (Tokimune Takeda) |
|
|
|
| Escrito por Administrator |
| Sáb, 09 de Agosto de 2008 07:49 |
|
A Sokaku Takeda: Guarda costas em Hokkaido por Tokimune Takeda Fonte: Aiki News #70 (Março de 1986)
O artigo a seguir foi preparado com a assistência de Brian Workman dos Estados Unidos O artigo a seguir foi reimpresso com a permissão de Tokimune Takeda Sensei, Mestre chefe do Daito-ryu Aiki Budo e filho de Sokaku Takeda Sensei. nesta época, Sokaku tinha cerca de 35 anos de idade
GUARDA COSTAS EM HOKKAIDO Autor : Tokimune Takeda (filho de Takeda)
Por ter recebido muitas dúvidas sobre esse assunto, gostaria de descrever o que realmente aconteceu. Porque Sokaku Takeda, um famoso expert em artes marciais, escolheu viver em uma região distante como Hokkaido ao invés de viver no centro do país? É natural que esse tipo de pergunta seja feita. Por volta de 1868, o sistema de tropas coloniais foi introduzido com o objetivo de desenvolver Hokkaido e o sistema tradicional de clãs foi abolido. Assim, alguns samurais, tendo perdido seus empregos, se estabeleceram em Hokkaido e estavam interessados em trabalhar na terra. Esta ilha no extremo norte era um lugar ideal para quem sonhava em fazer fortuna da noite para o dia ou para criminosos se esconderem. Pessoas de todos os tipos e de todas as ascendências chegaram a Hokkaido procurando por uma nova vida, como se vê em filmes do velho oeste, e o número de criminosos também cresceu. Havia muitos crimes, inclusive brigas e fugas de cadeias por bandos. Jogadores e tipos de má índole mandavam na terra e atormentavam os cidadãos bons e trabalhadores que lá viviam. A quase anarquia prevalecia em Hokkaido no início do período Meiji (1868) devido a precariedade da polícia. O número de jogadores aumentou a um ponto que não podia mais ser ignorado. Essas pessoas provocavam brigas com os homens do budo e extorquiam sake ou dinheiro deles. Quando alguém assim exerce a autoridade, a única forma de lidar com ele é agradando-o. Nesse sentido, não há diferença entre hoje e os velhos tempos.
Sokaku Takeda X os jogadores de"Mo" Esta é uma parte da biografia de Sokaku Takeda publicada por Isamu Takeshita, o Almirante da marinha que estudou Daito-ryu no início do período Showa (1925- ). Além disso, este é o verdadeiro relato do incidente, parte do qual foi publicado no livro "Aikido" pelo pesquisador Tsuruyama. Naquela época em Hokkaido ocorreram vários incidentes envolvendo pessoas que iniciaram procedimentos judiciais proibindo armas perigosas e exigindo que os suspeitos sob investigação fossem imediatamente libertados. A situação se tornou extremamente perigosa. Em 6 de julho de 1904, Sokaku Takeda chegou à incivilizada cidade de Hakodate em Hokkaido a pedido da corte municipal. Sokaku ficou na casa de Kishiro Yokoyama, um tabelião público em Hakodate. Os promotores públicos Shigemori Fujita, Hachiro Hasegawa e Bansho Kimura estavam ensinando (Daito-ryu) aos empregados da corte e policiais em Hakodate nesta época. Cerca de dez dias após sua chegada em Hokkaido, ele foi a um banho público na cidade, porque gostava de tomar banhos matinais.Três jogadores estavam no banho e ficaram rindo e apontando entre si, apontado para Sokaku. Sokaku pressentiu que eles queriam provocá-lo para uma briga, então os observou com cuidado. De alguma forma eles descobriram quem tinha sido indicado para guarda da corte. E viram que Sokaku era um homem pequeno, com menos de 1.51m e pesava apenas 52.5 kg. Eles estavam esperando por um momento em que Sokaku não estivesse atento, pois ele estava desarmado, imaginando como um homem tão pequeno poderia ser um guarda costas. Sokaku saiu da casa de banhos públicos e caminhou um pouco. Então, cinco ou seis jogadores o atacaram ao mesmo tempo. Ele bateu em seus rostos com a toalha molhada. Atacar um oponente com uma toalha molhada usando o método de "kokyu" de Aiki é tão poderoso quanto bater em alguém com uma vara de bambu verde, e eles foram afugentados. Como os baderneiros estavam acostumados a lutar, eles persistentemente atacaram Sokaku com facas nas mãos. Mas Sokaku lidou com eles severamente e quebrou braços e costelas e finalmente o grupo fugiu. Sokaku retornou à casa do Sr. Yokoyama, e este explicou que o bando conhecido como "Mo" tinha centenas de membros violentos e que era certo que eles voltariam para conseguir uma vingança. Pensando em não causar problemas a seu anfitrião, Sokaku se mudou para o segundo andar de uma hospedaria próxima e começou a polir a espada de que tanto gostava, aguardando o cair da noite. O Sr. Yokoyama avisou Sokaku que membros do grupo Mo estavam se reunindo vindo de vilas próximas em grandes números, carregando espadas japonesas, lanças e armas de tiro "Murata". Ele disse que o número de homens certamente aumentaria até o dia seguinte e implorou que Takeda escapasse e se escondesse dos “cortadores de gargantas”. Do final do período Edo ao primeiro ano da era Meiji (meados de 1860 a 1868), Sokaku lutou na Guerra de Aizu, e neste tempo escapou muitas vezes da morte em batalhas. Mesmo assim nunca foi derrotado. Quando tinha 21 anos de idade, entrou em uma luta de vida ou morte com cerca de 300 trabalhadores de construções por seis horas. Ele conseguiu sobreviver “cortando” diversos dos fortes atacantes. Depois, descobriu-se que a culpa do ocorrido foi dos trabalhadores de construções. A atitude de Sokaku foi reconhecida como legítima defesa e ele foi julgado inocente. Ele sofreu cerca de 30 ferimentos no corpo e foi chamado de indestrutível. Em 1903 ele estava instruindo cerca de 50 oficiais da Segunda divisão do exército de Sendai (este fato foi registrado por um de seus estudantes). Entretanto, ele foi transferido para o terceiro exército do general Maresuke Nogi e participou na violenta batalha de Lu-shun. Dizem que esta divisão era a mais poderosa do Japão. Em vista disso, Sokaku respondeu ao Sr. Yokoyama: "Como eu poderia ter servido como instrutor da segunda divisão do exército se eu tivesse medo de armas? Quando escurecer, eu vou afugentar os cavalos deles e cobrir o chão de corpos”. Sokaku esperou sozinho pelo por do sol determinado a lutar com a turba até o amargo final. Então, lhe chegou a informação de que o grupo Mo tinha alugado uma certa hospedaria e que mais membros do grupo estariam se reunindo lá, e que mais uns 200 deles estavam sendo esperados. Neste meio tempo, foi espalhado o rumor de que haveria uma luta entre o grupo Mo e o guarda-costas da corte. Todos os moradores da cidade fecharam as portas corrediças de suas casas acreditando que haveria outra guerra de Hakodate, como em 1868 (o exército imperial contra o exército do Shogun). Nenhuma alma era vista nas ruas subitamente desertas. Membros do grupo Mo apareceram na hospedaria em que Sokaku estava, para vigiar seus movimentos. O dono da hospedaria começou a falar de Sokaku, que estava polindo sua espada, dizendo que ele ia “invadir uma casa e cobrir o chão com corpos". E que Sokaku também teria dito que a guerra não era possível se as pessoas tivessem medo de armas. Quando os espiões ouviram isso, ficaram aterrorizados e partiram. Eles relataram o que tinham ouvido na hospedaria aos lideres da gangue, que começaram a sentir medo e optaram então por montar uma fortificação de defesa, com membros brandindo armas, inclusive armas de tiro Murata. Isso não foi uma surpresa, porque os líderes da gangue que tinham atacado Sokaku em seu caminho da casa de banhos públicos tinham sido tratados por ele com severidade. Além do mais, eles tinham apenas provado o poder de Sokaku no uso de uma toalha molhada! Então, como ocorreu, a história do dono da hospedaria funcionou perfeitamente. Apesar de Sokaku Takeda ser um homem pequeno, ele tinha o nariz para o alto e seus olhos eram penetrantes. Seu kiai (grito) e voz, que de alguma forma emanava de sua estrutura pequena, eram aterrorizantes! Sob o manto da escuridão, Sokaku, carregando sua querida espada, foi diretamente à casa de Tsunekichi Morita, o líder do grupo Mo, e não ao quartel general do bando, para uma luta até o fim. Dizem que havia três pessoas na porta da frente quando ele chegou. Quando um deles viu o rosto de Sokaku, ele disse: "Você deve ser Takeda Sensei”.Este homem conhecia Sokaku muito bem. Ele era Toranosuke Sasajima, um ex-sargento de polícia que era na época conselheiro do grupo Mo. De fato, o grupo de Morita tinha aumentado seus poderes graças a suas atividades de inteligência. Sasajima disse: "Sinto muito por não ter percebido que o guarda-costas da corte era você, Sensei”.Ele explicou a situação a Morita, que depois se encontrou com Sokaku. Após ouvir a história, o chefe do grupo Mo admitiu a culpa e ordenou que seus membros fossem embora da hospedaria. Entretanto, aqueles que tinham sido feridos mais cedo no ataque a Sokaku não aceitaram isso e insistiram que iriam matar o guarda-costas. Sokaku também insistiu que cobriria o chão com corpos como um recado para outros no futuro. A situação tensa foi enfim resolvida pela intermediação de Hannosuke Okada, Superintendente do departamento de polícia de Hakodate. O Superintendente Okada disse ao grupo Mo que eles eram os culpados, e que deveriam deixar Sokaku em paz. Ele também lhes disse que eles deveriam parar de atrapalhar as atividades da justiça e seus atos contra juízes e promotores. Ele também pediu a Sokaku que deixasse Hokkaido, porque sua presença seria uma provocação ao grupo Mo, se ele continuasse na cidade. Ambos os lados concordaram e discutiram o assunto em um restaurante de primeira classe em Hakodate. A intervenção de Okada levou a uma reconciliação e uma grande festa foi feita em celebração. Um banho de sangue foi evitado por este acordo amigável. Assim, Sokaku Takeda relutantemente partiu de Hokkaido. |
| Última atualização em Sex, 27 de Maio de 2011 20:47 |
Artigos

